O que nos faz sentir vivos?
Conectar-nos com algo. Em primeiro lugar, connosco (no seu sentido mais profundo). Dar vida a algo e "beber" simultaneamente dessa mesma fonte. Dar e Receber. Um fluxo inesgotável.
Esse "encontro" pode dar-se de muitas formas:
Quer seja através da natureza, da criatividade, da oração, e do silêncio até! Tomar consciência da nossa presença e do que somos. Do nosso lugar no mundo. O que queremos. Como podemos dar o melhor de nós. Qual é a nossa melhor forma de comunicar e contribuir para o Todo.
(A verdade, é que tal é uma descoberta constante e infindável. Muito tenho eu a descobrir ainda)...

Sem dúvida que esses momentos para mim são em grande parte encontrados quando pinto, quando crio algo. Também o contacto com a natureza… (Ah, o mar e os bosques!...) As crianças (que possibilitam no fundo o contacto com a minha própria “criança interior”). Os animais. (E aqui tenho de referir esses dois exemplares de afectividade e inocência que povoam o meu espaço e vida quotidiana: os meus gatos!)
Esse fluxo de vida que gera energia, vitalidade e amor. Muitas vezes sinto-o simultaneamente como algo solitário e de partilha.
Nesta tela, é essa vitalidade, energia e fluxo que pretendo representar e celebrar! 

"Life is a flow of Love" (A Vida é um fluxo de Amor).

A natureza simples, genuína, espontânea e verdadeira. Essa simplicidade e liberdade de existir afinal!




Sempre adorei escrever.

A minha adolescência (e pré-adolescência), fez-se muito, nutrida através da correspondência escrita. Familiares emigrados, “pen friends” e até mesmo com os amigos da escola, durante as férias.
Recordo a expectativa e a emoção de ouvir o som da "motoreta" do Carteiro (até me recordo do seu nome: "Sr. Octávio"), que ansiosamente aguardava à hora certa.
Era imenso o fascínio que nutria por esta profissão. Para mim, eram verdadeiros Mensageiros de Afectos!

Folhas, postais, fotos, desenhos. Eram veículos de notícias e histórias. Emoções que eram facilmente revividas, registadas e guardadas desta forma.

Hoje, acredito que nestas gerações mais recentes, muitos não terão ainda sequer tido a experiência de escrever uma carta ou um postal à mão. Ir aos Correios, colar um selo, colocá-la cuidadosamente na Caixa de Correio. Como se de um ritual se tratasse. Recordo todos estes passos a cada carta enviada. O momento de colocar na Caixa de Correio, soava ao lançamento de um “Pombo Correio”. Partia e regressaria com alguma novidade que aguardava com muita expectativa.

Hoje, é verdade que aparentemente a comunicação se faz de forma mais fácil e mais rápida. Mas não sei se com a mesma profundidade. O próprio acto de desenhar cada letra, o tempo que para tal dedicamos, convidava a uma introspeção que nos permitia chegar ao mais fundo de nós.



Acredito que quem teve essa experiência, sentirá que, quem recebia as nossas cartas, nos conhecia melhor e mais profundamente, que outras pessoas com quem lidávamos diariamente…
Hoje em dia, confesso que eu própria não tenho essa prática há muito. Apenas muito esporadicamente, como que numa tentativa de não apagar para sempre um ritual tão bonito.


Então, porque não fazer também da minha arte, um "Veículo de Afectos"?
Foi com este sentimento que decidi também criar uma coleção de postais que possam transportar palavras, cores, emoções, e principalmente Inspiração.

Adoraria saber que através destes postais, alguém se inspirou a escrever a alguém. Mesmo que simplesmente a partilhar um “olá”, um abraço, ou um simples um “Estou aqui”.
Fazer-se perto através da palavra desenhada em papel…
Da minha parte... reiniciarei este "ritual" desde já. Há um postal que já tem destino marcado "além fronteira" ;)





No processo criativo, apesar de alguns passos poderem ser considerados mais controlados ou racionalizados, a verdade é que existe (e tem mesmo de existir!) uma boa dose de instinto, intuição e espontaneidade.



É nessa conquista do “ficar sem medo de errar”, que muitas vezes somos surpreendidos com novos efeitos, novas cores... Descobre-se e revela-se como que uma nova linguagem.
Foi um desses momentos que surgira há poucos dias. Senti de imediato que nascia uma nova expressão que merecia dar origem a uma nova “série”.

A série “Heart Whispers” são mensagens que ecoam em nós. Que nos sussurram, guiam, advertem e consolam.

São “Corações Voadores”, que possuem as Chaves para aqueles momentos em que mais necessitamos. São expressões diversas, com personificações e mensagens que ganham forma física, para que as possamos ter sempre por perto. Para que nunca delas nos esqueçamos.

Que o meu coração possa assim chegar ao vosso. <3



Quase sem dar por isso, já decorreram quase 4 anos.
Quatro anos de encontro e aventura por esta forma de arte (mixed media art). Uma forma de encontro comigo e com os outros afinal. Uma forma de auto expressão e de expressão com os outros, tão intensa e completa. Como muitas vezes digo: “Não sei se fui eu que encontrei esta arte, ou se foi ela que me encontrou!…”

Annah Crafts foi na altura o nome que “encontrei” para esta minha nova “faceta”. Quase em modo de “pseudónimo”. Ana Nunes é a designer. Annah Crafts… a artista (“soul artist”). Como que uma necessidade de criar uma entidade própria para este universo particular no qual me refugiaria.

Mas a verdade é que mais do que um refúgio, tornou-se uma “necessidade”, um alimento… uma “morada”. Algo que já faz parte das minhas células e do meu ser. Sem esta forma de expressão, "eu não sou eu". Faz parte da minha essência, do seu alimento, descoberta e construção.

E como tudo possui seus processos, mutações, desenvolvimento, decidi também realizar um pequeno “restyling”  a esta “identidade”:
Simplificada nas formas (tecnicamente mais versátil), possui o círculo como elemento fulcral. Símbolo de união, perfeição e eternidade (sem princípio nem fim…). Optei também por um lettering com um estilo “manuscrito”: mais pessoal e espontâneo. É ainda incluído o símbolo do Coração. Porque afinal, tudo se resume a isso, e por isso a “assinatura”: “Art with Heart”. (Arte com Coração).
… É daí que tudo advêm e se revela. <3

Muito se fala em encontrar o nosso "Propósito de Vida". Esta pode ser deveras a maior "façanha", pois muitas vezes o que acontece, é não darmos o espaço e tempo necessários a essa descoberta.
Alguns, na verdade, poderão ser "brindados" com a sorte de descobrir desde tenra idade, o que os fará sentir plenamente realizados. Outros poderão descobri-lo durante o seu percurso de vida. E eventualmente, outros poderão nunca o descobrir verdadeiramente.

Outro grande desafio é manter o foco, e alinhar as nossas escolhas de vida segundo as nossas paixões e aspirações.
Nunca nenhuma opção está livre de consequências, ou "perdas" de algo, em detrimento de outros "ganhos".
A questão, é saber e sentir, quais são, acima de tudo, os "ganhos" que darão sentido à nossa vida.

Algo que nos pode ajudar nestes momentos é colocar-nos a seguinte questão:
"Quando um dia eu "partir", pelo quê quererei ser lembrada(o)?"
Estou certa que as respostas nos ajudam mais facilmente a saber qual o caminho mais alinhado connosco num preciso momento.

"Somos filhos das estrelas".

Enquanto pintava esta aguarela, reflectia nesse sentimento de fusão que me inspirava. No final de contas, um pedaço da estrela de onde viemos, estará latente algures em nós. Essa "centelha de vida"...

Descobri-la, nutri-la, é fazê-la crescer.
E é assim que definiria o que significa para mim o "Propósito de Vida":
Descobrir e realizar o que mais plenamente traduzirá o que verdadeiramente somos. A expressão mais autêntica de nós próprios, com as nossas emoções, pensamentos, fragilidades, medos, fortalezas...
É encontrar num plano "tridimensional", a forma mais autêntica de nos revelarmos e doarmos aos outros.


Como em todas as obras, estas sempre são o resultado de um processo, reflexões, etc.
Esta foi a “expressão” que “veio à tona”. Provavelmente será uma forma de me lembrar e assegurar de que não podemos “forjar” o que somos, tentando adaptar-nos aos ambientes, pessoas e circunstâncias, abnegando de algum modo, o que somos verdadeiramente. Por vezes a vida traz-nos cenários e circunstâncias que parecem não ter a ver connosco. E aí nos questionamos: “Porquê”?

Sempre acredito que tudo chega até nós por afinidade... mas quando subitamente nos sentimos “desenquadrados”, tentamos entender o porquê... A verdade é que nem sempre sabemos bem o que queremos ou que caminho tomar. E ante esta indefinição, impasse, inércia, são nos colocados desafios e cenários que nos exercitam. E afinal de contas, dão-nos a possibilidade de perceber o que NÃO queremos... Para acertar no caminho, muitas vezes há que fazer desvios por outros "sinuosos trajetos" que nos mostram o que afinal não queremos. Porque o mais importante, é sermos fiéis a nós mesmos...

Emoções intensas, potenciam a criatividade, pois ao advirem do âmago do nosso ser, revelam muitas vezes, facetas desconhecidas até então.
Procuramos de algum modo expressar, e converter em algo físico e tridimensional, esse pedaço de alma feita de emoções...
Por vezes essa intensidade emocional , pode levar a uma espécie de “convulsão interior”. Podem surgir estados de certo modo“desconfortáveis”, entre angústias, opressões e inquietações. Na verdade são "murmúrios" de algo que internamente, “clama” para ser escutado e respondido.

Ao longo da nossa vida sempre passamos (e passaremos) por momentos destes. No fundo, sempre estarão a acontecer, a partir do momento em que decidimos e assumimos o compromisso pessoal, de permanecermos conectados com o nosso ser, e com a nossa voz interior... mas a verdade é que por vezes, assoma-se a cobardia. Muitas vezes o que a voz interior clama e revela, acarreta um esforço e vontade, força e fé,  que muitas vezes parecemos não possuir de forma suficiente, para que possamos proceder à mudança de trajectória que devemos fazer. (Temos “medos”...)

Mas eis que os "sussurros" e inquietações permanecem... e são impossíveis de calar, a não ser que “sufoquemos” a nossa alma. Mas tal não faria sentido, pois são esses mesmos sussurros que sempre nos indicam qual o caminho que nos conduz à verdadeira paz e alegria. À nossa “Missão”, afinal.
Sempre me considerei uma pessoa "adaptável". E isso pode ser bom, sim. A capacidade de saber integrarmo-nos em novas condições, ambientes e circunstâncias... Mas uma ténue fronteira separa a adaptabilidade, da "resignação". E é aí que devemos tomar muito cuidado, pois uma coisa é de facto sabermo-nos (re)acomodar com o fluir da vida, outra é gradualmente "abafarmo-nos", aprisionarmos ou limitarmo-nos...

Por vezes parecemos ter como que diversas aptidões para tantas outras coisas diversas. Mas o grande desafio está realmente em descobrir qual ou quais serão as que realmente nos fazem feliz e que nos preenchem completamente. Que no fundo representem e justifiquem (para nós)a palavra "Viver".
Muitos poderão nunca descobrir, por nunca ter, “quiçá”, reservado o devido espaço e tempo a essa escuta...
Por outro lado, se virmos com profundidade, o nosso “caminho” poderá estar nas coisas que mais natural e espontaneamente realizamos. Aquelas que brotam tão naturalmente como se se tratassem de uma extensão do que respiramos, sentimos, pensamos e somos...

Todos somos de algum modo criadores de algo. Quer seja de palavras, afetos, ações... outros poderão eventualmente explorar essa vertente criativa para algo mais abrangente.
A verdade é que a capacidade de criar algo é o que nos ajuda a conhecer, nutrir e crescer a nossa alma. É uma forma de (auto) descoberta, de (re)encontro ,  revelação, partilha e comunhão com o mundo.
Os momentos de pintura para mim, são momentos de liberdade e refúgio num mundo em que me permito viver e acreditar. E nele, sei que não estou só, porque sinto que cada um daqueles, que de algum modo se "sintoniza" com alguma “criação/expressão” minha, desse mesmo mundo fará parte. Dele também fará parte algum pedaço da “vossa” alma.
“Aqui”, é  onde brota a verdade mais profunda. Revela-se  o que conheço e desconheço de mim. E o que ainda não decifrei. E no final de cada obra, é uma parte de nós que “mergulhada” na tela, se revela em manchas de cor, formas,  texturas, palavras e figuras.

Criar é um misto de magia e mistério. Um pedaço de alma tornada física.

Esta é a “Sacralidade da Criação”. E é onde se justifica a palavra "Vida".


Annah Crafts. Com tecnologia do Blogger.