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Quem acompanha o meu trabalho e me conhece, sabe que a Astrologia é um dos temas que me encantam. Adoro perceber e constatar a forma como nós, apesar de obviamente possuirmos o livre arbítrio, ao estarmos inseridos num lugar, neste nosso planeta, também possuímos influências dos planetas e estrelas que habitam no nosso mapa-céu.

Se a lua influencia tanto as marés, as colheitas e a maternidade… imaginemos sobre nós, constituídos por cerca de 70% de moléculas de água! Partículas permeáveis a tantas impressões e energia.
(Relativamente a este tema, aconselho vivamente um livro: “As Mensagens escondidas na Água” de Masaru Emoto, que explica todos estes fenómenos de uma forma muito clara e fascinante).

Quando pinto, o que pretendo essencialmente é expressar-me. Comunicar e Criar. Mesmo que, previamente, não saiba muito bem o quê. Gosto de representar o aspeto feminino, aliado ao seu lado sagrado, místico e mágico.
Retratar a influência de cada signo do zodíaco, trata-se no fundo de representar diversas facetas de nós próprios. Contemos em nós, um pouco de tudo, com mais ou menos expressão.
Escolho cada representação de um signo de uma forma pouco racional. Trata-se de um processo muito espontâneo e intuitivo. Segundo o meu sentir no momento. Provavelmente por ser uma faceta que mais necessito apelar, desenvolver ou dar expressão. Ou simplesmente por retratar alguém que naquela fase da vida esteja de algum modo mais presente… e sim! Sou daquelas pessoas que automaticamente associa cada pessoa que conhece, a uma data e a um signo. É algo espontâneo e natural. Tal como se associa um nome a cada pessoa que faz parte da nossa vida.

Desta vez, coube-me representar “o poder do Leão”, associado a este caráter feminino, protetor, guerreiro e nobre (rainha). O Leão, nos seus aspetos positivos, imprime força, coragem, caráter e altruísmo.
As cores quentes representadas na tela, remetem para o Sol (regente deste signo).


A figura do Leão, surge majestosa como que protetor e simultaneamente protegido da figura feminina representada. É sua coroa e sua proteção. Trata-se de uma guerreira, vestida de natureza e de símbolos solares.

A este poder feminino dedico esta obra e a todas as mulheres que o representam de algum modo. Fui criada por uma dessas mulheres, e quer a nível profissional como pessoal, a minha vida tem a participação de algumas.
A todas elas, e especialmente à minha Mãe, a minha homenagem aos seus “Corações de Leoas”. <3




O que nos faz sentir vivos?
Conectar-nos com algo. Em primeiro lugar, connosco (no seu sentido mais profundo). Dar vida a algo e "beber" simultaneamente dessa mesma fonte. Dar e Receber. Um fluxo inesgotável.
Esse "encontro" pode dar-se de muitas formas:
Quer seja através da natureza, da criatividade, da oração, e do silêncio até! Tomar consciência da nossa presença e do que somos. Do nosso lugar no mundo. O que queremos. Como podemos dar o melhor de nós. Qual é a nossa melhor forma de comunicar e contribuir para o Todo.
(A verdade, é que tal é uma descoberta constante e infindável. Muito tenho eu a descobrir ainda)...

Sem dúvida que esses momentos para mim são em grande parte encontrados quando pinto, quando crio algo. Também o contacto com a natureza… (Ah, o mar e os bosques!...) As crianças (que possibilitam no fundo o contacto com a minha própria “criança interior”). Os animais. (E aqui tenho de referir esses dois exemplares de afectividade e inocência que povoam o meu espaço e vida quotidiana: os meus gatos!)
Esse fluxo de vida que gera energia, vitalidade e amor. Muitas vezes sinto-o simultaneamente como algo solitário e de partilha.
Nesta tela, é essa vitalidade, energia e fluxo que pretendo representar e celebrar! 

"Life is a flow of Love" (A Vida é um fluxo de Amor).

A natureza simples, genuína, espontânea e verdadeira. Essa simplicidade e liberdade de existir afinal!




Sempre adorei escrever.

A minha adolescência (e pré-adolescência), fez-se muito, nutrida através da correspondência escrita. Familiares emigrados, “pen friends” e até mesmo com os amigos da escola, durante as férias.
Recordo a expectativa e a emoção de ouvir o som da "motoreta" do Carteiro (até me recordo do seu nome: "Sr. Octávio"), que ansiosamente aguardava à hora certa.
Era imenso o fascínio que nutria por esta profissão. Para mim, eram verdadeiros Mensageiros de Afectos!

Folhas, postais, fotos, desenhos. Eram veículos de notícias e histórias. Emoções que eram facilmente revividas, registadas e guardadas desta forma.

Hoje, acredito que nestas gerações mais recentes, muitos não terão ainda sequer tido a experiência de escrever uma carta ou um postal à mão. Ir aos Correios, colar um selo, colocá-la cuidadosamente na Caixa de Correio. Como se de um ritual se tratasse. Recordo todos estes passos a cada carta enviada. O momento de colocar na Caixa de Correio, soava ao lançamento de um “Pombo Correio”. Partia e regressaria com alguma novidade que aguardava com muita expectativa.

Hoje, é verdade que aparentemente a comunicação se faz de forma mais fácil e mais rápida. Mas não sei se com a mesma profundidade. O próprio acto de desenhar cada letra, o tempo que para tal dedicamos, convidava a uma introspeção que nos permitia chegar ao mais fundo de nós.



Acredito que quem teve essa experiência, sentirá que, quem recebia as nossas cartas, nos conhecia melhor e mais profundamente, que outras pessoas com quem lidávamos diariamente…
Hoje em dia, confesso que eu própria não tenho essa prática há muito. Apenas muito esporadicamente, como que numa tentativa de não apagar para sempre um ritual tão bonito.


Então, porque não fazer também da minha arte, um "Veículo de Afectos"?
Foi com este sentimento que decidi também criar uma coleção de postais que possam transportar palavras, cores, emoções, e principalmente Inspiração.

Adoraria saber que através destes postais, alguém se inspirou a escrever a alguém. Mesmo que simplesmente a partilhar um “olá”, um abraço, ou um simples um “Estou aqui”.
Fazer-se perto através da palavra desenhada em papel…
Da minha parte... reiniciarei este "ritual" desde já. Há um postal que já tem destino marcado "além fronteira" ;)



É inegável a magia de Sintra. Lugar onde habitam mais que "mitos e lendas", mas verdadeiras fadas com suas histórias e não só!...
Esta mística sente-se. Sendo mais ou menos sensível, acredito que ninguém passe indiferente por aquela “vila encantada”. Somos magicamente envolvidos por verdes mantos, casas, ruas, palácios e palacetes repletos de cor, como se subitamente tivéssemos entrado em algum cenário de “Conto de Fadas”...
Foi por isso que escolhi este lugar encantado (que também é Património da Humanidade), para cenário de uma sessão fotográfica. A ideia era conseguir encontrar um lugar que de algum modo representasse o universo “Annah Crafts” (como pessoa e como artista).

Fazia para mim todo o sentido o verde, os bosques... um lugar onde mundos e dimensões parecem cruzar-se, coexistir e interligar-se...
O fotógrafo escolhido foi também “um acaso”! Não nos conhecíamos. Apenas possuía breves referências através de uma amiga desta zona. Mas por vezes é preciso confiar e deixar que as coisas surjam por algum propósito que possamos não ter inteiramente controlo. Estarmos abertos, deixarmo-nos surpreender e confiar.
Assim aconteceu. O próprio lugar parece ter-nos "escolhido"! É fantástico como de repente um grupo de pessoas (mesmo algumas não se conhecendo), conseguem entrar e partilhar de um mesmo universo.
Sou muito grata pelas pessoas, vivências e experiências que este projecto “Annah Crafts” me tem trazido.
É maravilhoso podermo-nos alimentar de um universo encantado e "chamar" outras pessoas a fazer parte dele!

Em breve poderei partilhar um pouco mais desta sessão... mas para já, o que eu queria mesmo, era agradecer aos meus queridos “duendes e elfos” Nuno, Ricardo www.facebook.com/r.marquesphotos?pnref=lhc e Luís, que me acompanharam nesta mágica e divertida sessão em ”Sintra Encantada”!




Numa época em que parecemos agora invadidos pela moda dos livros para colorir "anti-stress", repletos de diagramas, entre os quais "mandalas", parece que este símbolo se torna de certo modo banalizado... mas será que conhecemos a sua proveniência e significado?...

É curioso, pois há cerca de uns 15/20 anos, este elemento representara uma fase criativa minha... Como que por acaso, descobri através de um livro as "mandalas", e logo me apaixonei pela sua beleza e principalmente pela filosofia contida, pela sua riqueza simbólica do Universo (do material e espiritual)... Foram muitas as "mandalas" em tela e vidro que pintei, e que ainda hoje vou descobrindo algumas delas, distribuídas por casa de amigos e familiares...

As "mandalas" são originalmente elaboradas por monges tibetanos com areias de mil cores... Após longas horas de pura concentração, meditação, dedicação e extremo detalhe, ao estarem terminadas são simplesmente “destruídas”, como que representando a eterna mutação e impermanência das coisas, o desapego etc...

Num dia destes, caminhando à beira  mar e contemplando o mar (da Ericeira) já por horas próximas do ocaso, espontaneamente começara a brotar dos meus dedos uma figura geométrica na areia... Uma "mandala" surge materializada. Pego em 3 ou 4 conchas e pedras que se encontravam próximas e atribuo-lhes um pequeno adorno complementar.

Aqueles breves instantes enquanto desenhava a "mandala", pude experimentar uma doce serenidade, que me fez reflectir na extrema importância de vivermos focados apenas no momento presente... Algo que muitas vezes nos é difícil, e mais parecemos sempre andar em sobressalto, entre recordações do passado e anseios do futuro... Mas como diz o provérbio chinês: “O Passado é história, o Futuro é mistério, e hoje é uma dádiva. Por isso é chamado de Presente.”

Na tentativa de “registar” este sentimento, corri para a toalha, e retirando a máquina fotográfica da mala, pedi a quem estava comigo, que tirasse uma fotografia... Dois "disparos", e o mais surpreendente (quer acreditem quer não), é que mal se tirara a foto, o mar que parecia até então ter cordialmente permitido a contemplação da obra, de súbito, lançara uma onda que abraçara toda a "mandala" e a arrecadara para si... Apagou-a por completo sem deixar menor vestígio (físico) da sua criação.
Até nisso trouxe um ensinamento, pois afinal sua missão cumprira-se. A serenidade e introspecção que permitiu ao ser desenhada, e ainda o “bónus” de alguns instantes de contemplação e partilha...

De facto, mais importante que o destino, é o próprio percurso e a aprendizagem que isso nos traz. É como quando pinto... É certo que me traz muita felicidade ver a obra terminada, mas para além do resultado final, é a própria história e emoção que sei que contém. Emoções minhas, materializadas pincelada a pincelada numa tela durante o processo... É todo um “percurso emocional” que fica registado na tela, mas principalmente no íntimo de quem o percorre...




Annah Crafts. Com tecnologia do Blogger.