Nasci numa família em que as mulheres predominam largamente. 
Talvez, também por isso, sempre cresci a imaginar como seria ter um irmão. Eu queria um irmão mais velho. No fundo, inconscientemente procuraria quem me “protegesse” de alguma forma. Provavelmente procurava uma figura masculina que preenchesse as minhas carências afetivas.
A par disto, creio que, mediante traumas de infância/adolescência com “falsas amigas”, sentindo-me muitas vezes “atraiçoada” por elas, fui criando subtilmente uma espécie de “rejeição” à figura feminina. Rejeição ou inconformidade, desconfiança. E sim, passei (durante loooongos anos), por aquela fase em que “eu só me dou bem no meio de rapazes! E acreditem, também tive obviamente várias aprendizagens (com muita dor) a fazer neste sentido.

Realmente, tudo o que não é equilibrado e feito de um lugar de maturidade e consciência, sempre traz repercussões “doloridas”.

A par disto, creio que, mediante traumas de infância/adolescência com “falsas amigas”, sentindo-me muitas vezes “atraiçoada” por elas, fui criando subtilmente uma espécie de “rejeição” à figura feminina. Rejeição ou inconformidade, desconfiança. E sim, passei (durante loooongos anos), por aquela fase em que “eu só me dou bem no meio de rapazes! E acreditem, a par de ter tido sempre a benção da vida me ter dado muitos irmãos, pais, companheiros e amigos maravilhosos, também tive obviamente várias aprendizagens (com muita dor) a fazer neste sentido.


Quando iniciei este projeto, fui me apercebendo de que muitas mulheres iam se conectando comigo. Para mim era algo como “não percebo, eu sempre me dei mais com homens, não tenho muita afinidade com mulheres (pensava eu). Como pode estar isto a acontecer?”… E a partir dessa fase, realmente comecei a perceber que as minhas amizades que até aí, eram na sua grande maioria masculinas, estas foram sendo substituídas por mulheres. Muitas mulheres!
Confesso que levei um tempo a “aceitar” isso em mim. Agora percebo: faz parte dessa minha “cura” com o feminino. No fundo negava partes do meu feminino (apesar de aparentemente ser feminina e “boa menina”, como se quer!). Percebo que talvez algumas feridas provocadas por abordagens e interações de mulheres, ao longo do tempo, me faziam associar o feminino a um lado mais negativo, mordaz e acusatório (motivado pelas experiências até então).

Sou tão grata pelas maravilhosas mulheres que se têm cruzado no meu caminho. Ensinam-me e inspiram-me todos os dias. Também às mulheres que fizeram e fazem parte das experiências mais dolorosas, pois fazem-me ver também as partes de sombra em mim a curar.

A verdade é que a arte é reveladora. É cura. 
É um processo de cura contínuo. Um espelho que nos ajuda a ver partes de nós.
E realmente era de facto uma incoerência. Imagine-se! Eu que de alguma forma nutria alguma “rejeição” ao feminino, afinal desde o início sempre pintei a figura feminina. Sempre! Nas suas mais variadas facetas. Talvez sempre tenha sido uma “transferência” do que eu idealizo. Mas hoje, acredito que essas versões mais belas e puras da mulher também existem sim. Este projeto e a minha arte têm-me trazido isso. E sou tão grata!



Neste momento (e desde há algum tempo, e porque tudo na vida são fases, etapas, ciclos), atrai-me muito representar temas como o Sagrado Feminino. Essa magia e poder criador e criativo da mulher. A multidimensionalidade. E aceito o que vem, o que me inspira no momento, pois se assim é, é porque existe aprendizagem e cura a fazer nesse sentido. 

Tudo isto, tudo o que faço, já não se trata apenas de mim. Trata-se de mim, de quem se conecta com a minha arte, comigo... Pois se assim é, significa que existe um elo de conectação e afinidade, e a cura de um, é a cura do outro. <3


No Natal passado, decidi oferecer à minha mãe uma compilação de fotografias da sua “meninice”. Fotografias antigas, quase esquecidas e desagastadas pelo tempo. Digitalizei-as, tratei-as e imprimi-as. Dei-lhes uma nova vida. Criei uma espécie de quadros ao estilo “collage de memórias”. Uma forma de compilar, homenagear e de lhes dar nova vida.
Nestas fotografias estão as minhas raízes. Apesar de serem memórias que não são minhas, representam pessoas, com quem construí e construo outras memórias. Aqui estão Avós, Mãe e Tios.
Nada me parece por acaso. Quando hoje estava a “descarregar” algumas fotos da máquina, deparei-me com estas. Decidi então partilhar, e quando reparo na data, percebo que faz hoje exatamente hoje 5 anos que meu Avô deixara este mundo. É o mais bonito e charmoso das fotos. Não dá para enganar! ;)

É assim que sempre tudo parece seguir um fluxo, lembrando-nos que a vida, e mesmo a morte, sempre são a continuidade de algo.
Para falar do meu Avô, sinto que me falta capacidade, pois sei que muito da sua história desconheço. Mas sei que era um homem muito “à frente” do seu tempo. Nasceu num meio muito humilde e não foi à escola. Foi servir, desde de tenra idade, para uma casa (como era usual na altura). E foi lá que aprendeu a ler e a escrever. Aprendeu música como auto didata. Tocava acordeão e fazia bailes, percorrendo dezenas de quilómetros a pé, de terra em terra com o seu acordeão. O primeiro ordenado que teve foi para comprar um dicionário! Contudo, e porque era o destino da maioria das gentes da terra, acabou por sempre viver do campo. Não obstante, sempre gostava de se manter informado de tudo, através do rádio, jornais e televisão. É verdade! Um homem que gostava muito de se cultivar. Tinha calma e sabedoria nas palavras. Por algo o seu destino fora viver, no e do campo. Poderia dizer que não teve oportunidade de exercer a sua cultura ou inteligência. Mas talvez, a sua missão, nesta existência, fosse mesmo buscar a sabedoria diretamente da natureza e da vida simples e humilde.


Este post torna-se assim uma homenagem aos nossos antepassados, dos quais advimos, cujas origens percebo agora serem tão importantes de conhecermos e reconhecermos, para nos Auto-Conhecer. Perceber quais as fragilidades, fortalezas, os “códigos” mentais e emocionais que nos condicionam, para assim trabalhar sobre os mesmos, e a cada existência, poder-mo-nos sempre superar. Agradecer e honrar os nossos antepassados e perceber que algo sempre nos une de algum modo. <3


Acabámos de viver a Páscoa.

Provavelmente muitos de nós, envolvidos nos afazeres e corrupios da vida, acabamos, ou por não estar atentos ao significado desta quadra, ou simplesmente associá-la a “coelhinhos e amêndoas” da Páscoa.
Mas na verdade, esta é uma época de Vida e Morte. De oportunidade de Renascimento e Reconexão. De Reflexão e de Descoberta. Para algo nascer, algo tem de "morrer", para dar lugar ao novo.

E de facto, nada é coincidência. Precisamente nesta quadra, fora publicado o livro “No Reino do Nascer e do Morrer”.
O tema central que serviu de mote foi o cancro infantil.
Quando recebi o conto (ainda em forma de “manuscrito” antes de o ilustrar), assim que o li pela primeira vez, apaixonou-me de imediato. Comoveu-me. Emocionou-me o modo como o tema da morte fora tratado, de forma tão bela, sensível e sábia.
“Tocou-me” o facto de tratar de um tema, que afinal é algo tabu: a Morte (principalmente em relação às crianças). 
Trata-se de um conto, que apesar de tratar de um tema, que muitas vezes queremos evitar, na verdade, faz parte da vida em si mesma.

A forma como a autora Maria de Fátima Costa aborda estes temas, faz-nos refletir acerca da Vida. Leva-nos a questionar acerca do que fazemos afinal aqui, fornece informações preciosas, e ao mesmo tempo, consegue “impregnar-nos” de Fé, Esperança e Alegria, afinal.
Trata-se de um conto, que apesar de tratar de um tema, que muitas vezes queremos evitar, na verdade, faz parte da vida em si mesma.
A forma como a autora Maria de Fátima Costa aborda estes temas, faz-nos refletir acerca da Vida. Leva-nos a questionar acerca do que fazemos afinal aqui, fornece informações preciosas, e ao mesmo tempo, consegue “impregnar-nos” de Fé, Esperança e Alegria, afinal.
Para mim, este é um conto muito especial.

Apesar de se assumir como um “livro infantil”, creio que que também, a nós adultos, muito nos pode ensinar e inspirar através dos conhecimentos tão profundos acerca da vida e da morte, transmitidos na linguagem simples do coração.
Para mim, este foi também um desafio: ilustrar palavras que devolvesse o mesmo respeito e esperança que a autora lhes depositara. Ilustrar um tema com seriedade, mas com alegria e fé. Abordar e celebrar o outro lado: a Vida.
Percebi neste processo de criação, que de facto, em qualquer tema ou circunstância, sempre podemos escolher e adotar a perspetiva que quisermos. Num tema que poderia ser triste, afinal é transformado de inspiração, alento e esperança. 

Convida-nos a reflectir acerca do que fazemos, sentimos e pensamos. A perceber que em toda ação, existe uma reação. Que morrer, afinal significa apenas, tomar outra forma, pois "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" (Lavoisier). A matéria é na verdade energia condensada, e que no fundo, apenas vai adotando diferentes formas, mas nunca, nunca é perdida. E também, (muito importante): Nunca estamos sozinhos.



Para mim, este é um conto muito especial. Um conto que, apesar de se assumir como um “livro infantil”, também a nós, adultos, muito nos pode ensinar e inspirar, relembrando-nos de tão profundos e preciosos conhecimentos acerca da vida e da morte, através de uma linguagem simples e directa ao coração.




Encontros felizes!
Há pessoas que se encontram através das suas criações, antes mesmo da presença física. É a expressão da sua alma, a sua criatividade que vai de encontro a outras mais.
Foi assim que surgiu este projecto e novo desafio de ilustrar um livro infantil.
Há cerca de 2 anos, adquiria eu, dois belíssimos livros ("Indígo e Cristal") da autora Isabel Santos Moura, na altura para mim desconhecida. Tratavam-se de 2 livros para crianças, para oferecer às “minhas” crianças 😊
De forma muito natural e espontânea, começou a surgir uma troca de emails. Enceta-se uma partilha e dar a conhecer de projectos pessoais e sonhos…
Na altura, Isabel, ao tomar conhecimento do projecto AnnahCrafts, lançara a 1ª semente para um futuro e possível projecto a duas: ilustrar um seu próximo livro.
Se por um lado, ficara obviamente grata, feliz e lisonjeada até pela sua intenção, também por outro, também me assolava algum receio pela eventual “responsabilidade” e compromisso. Pois, mesmo em tantos anos a trabalhar como designer gráfica e alguns menos como pintora/ilustradora, nunca um projecto desta índole se havia cruzado comigo, alguma vez.
De qualquer modo, acredito que a vida sempre nos traz desafios que devemos abraçar, pois sempre vêm com algum propósito maior.

Um novo desafio, seja ele de que índole for, põe-nos à prova. Impulsiona-nos a descobrir alguma parte de nós que permanece oculta, não manifestada, não explorada, não conhecida, afinal.Entretanto quando passado todo este tempo, o momento do convite foi “oficializado” com a recepção do manuscrito, foi colocar “mãos à obra”. Estudar, pesquisar e aprender um pouco mais acerca deste mundo da ilustração infantil, perceber e descobri afinal o meu próprio processo criativo, etc… São horas e dias das nossas vidas, envolvidas num projecto, que muitas vezes, quem se encontra ”de fora”, não tem percepção…

Sem dúvida que a história, o tema e a nossa protagonista da história (a Mariana), cativaram-me de imediato aquando da leitura do manuscrito. E isso foi fundamental, pois existiu uma sintonia imediata. Agora, seria conseguir traduzir para o papel, o "corpo e alma" das personagens e sua história.
(Uma curiosidade: enquanto a fase da ilustração se desenrolava, percebemos, que de alguma forma "inconsciente", e de forma não intencional, a própria Mariana apresentava uma simbiose de características físicas de ambas (os olhos azuis da autora, e o cabelo ruivo e encaracolado meu); para além do próprio nome Maria (da autora - Isabel Maria) e Ana (o meu nome). Fascinantes estas "sincronicidades", não? ;)




Passamos por diferentes estudos, croquisstoryboards, até mesmo para perceber que técnica usar para as ilustrações… De facto, tudo é um processo constituído por inúmeras etapas…
Neste processo, tenho de referir e agradecer, pois, para além da confiança da autora no meu trabalho, também a forma como me deixou interpretar a sua história: sem restrições ou pressões. Afinal, considero que todos estes ingredientes terão contribuído pela fluidez com que o projecto decorreu. Uma parceria coesa, dinâmica e fluída, que resultou num projecto de ambas afinal: “A Menina do Coração Verde”, é um livro que encerra em si uma mensagem tão importante, sensibilizando para o que é o respeito pela Natureza, pela nossa “Terra Mãe” e de todos os seres que nela habitam. Uma mensagem que inspira a cultivarmos corações verdes 😊 O Verde da Esperança, o Verde do Amor Consciente, o Verde da Responsabilidade e Compromisso, na nossa construção, como seres humanos mais em harmonia com a Natureza.
Um livro que chega também, principalmente às nossas crianças, pois nelas se encontra depositada a esperança no futuro. <3



Quem acompanha o meu trabalho e me conhece, sabe que a Astrologia é um dos temas que me encantam. Adoro perceber e constatar a forma como nós, apesar de obviamente possuirmos o livre arbítrio, ao estarmos inseridos num lugar, neste nosso planeta, também possuímos influências dos planetas e estrelas que habitam no nosso mapa-céu.

Se a lua influencia tanto as marés, as colheitas e a maternidade… imaginemos sobre nós, constituídos por cerca de 70% de moléculas de água! Partículas permeáveis a tantas impressões e energia.
(Relativamente a este tema, aconselho vivamente um livro: “As Mensagens escondidas na Água” de Masaru Emoto, que explica todos estes fenómenos de uma forma muito clara e fascinante).

Quando pinto, o que pretendo essencialmente é expressar-me. Comunicar e Criar. Mesmo que, previamente, não saiba muito bem o quê. Gosto de representar o aspeto feminino, aliado ao seu lado sagrado, místico e mágico.
Retratar a influência de cada signo do zodíaco, trata-se no fundo de representar diversas facetas de nós próprios. Contemos em nós, um pouco de tudo, com mais ou menos expressão.
Escolho cada representação de um signo de uma forma pouco racional. Trata-se de um processo muito espontâneo e intuitivo. Segundo o meu sentir no momento. Provavelmente por ser uma faceta que mais necessito apelar, desenvolver ou dar expressão. Ou simplesmente por retratar alguém que naquela fase da vida esteja de algum modo mais presente… e sim! Sou daquelas pessoas que automaticamente associa cada pessoa que conhece, a uma data e a um signo. É algo espontâneo e natural. Tal como se associa um nome a cada pessoa que faz parte da nossa vida.

Desta vez, coube-me representar “o poder do Leão”, associado a este caráter feminino, protetor, guerreiro e nobre (rainha). O Leão, nos seus aspetos positivos, imprime força, coragem, caráter e altruísmo.
As cores quentes representadas na tela, remetem para o Sol (regente deste signo).


A figura do Leão, surge majestosa como que protetor e simultaneamente protegido da figura feminina representada. É sua coroa e sua proteção. Trata-se de uma guerreira, vestida de natureza e de símbolos solares.

A este poder feminino dedico esta obra e a todas as mulheres que o representam de algum modo. Fui criada por uma dessas mulheres, e quer a nível profissional como pessoal, a minha vida tem a participação de algumas.
A todas elas, e especialmente à minha Mãe, a minha homenagem aos seus “Corações de Leoas”. <3




Aproximava-se o Natal e com ele, os jantares entre amigos. Num desses jantares, caber-nos-ia receber uma mensagem.
Sempre gostei destes pequenos rituais. Simples, mas repletos de significado para mim. Fechei os olhos, e pedi, que a mensagem/frase que me escolhesse, seria algo para trazer como propósito e missão para o novo ano que estava a chegar (2018).
Coloquei a mão num dos diversos envelopes dispersos, abri-o delicadamente, simultaneamente com um sentimento de expectativa:
“Não te preocupes em ser melhor que os teus contemporâneos e predecessores. Tenta ser melhor que tu mesmo.” (William Faulkner)
Dentro da sua aparente simplicidade, uma imensa profundidade. Ser a melhor expressão de nós mesmos, implica autenticidade. Implica conhecer-nos em profundidade, implica um trabalho constante e eterno… Como disse E. Cummings:  “É preciso coragem para crescer e tornar-se quem você realmente é.”

Uma “lapidação” constante á descoberta da nossa verdadeira essência. Descobrir e remover as inúmeras “camadas de cebola” criadas e nutridas através da educação, sociedade, cultura… Remover o tangível, superficial e aparente e alcançar o real, profundo e autêntico.
E foi essa mensagem que quis representar e de algum modo materializar através desta tela. Surge assim um Anjo, uma Mãe que traz consigo essa mensagem através de um ser alado: um pequeno pássaro com asas de borboleta, que representa Transformação.
Talvez a minha tendência tão permanente de retratar a figura feminina, também isso possa simbolizar essa necessidade de me (re)encontrar e reconciliar com esse aspecto feminino do Amor, Proteção, Compaixão, Tolerância…


Partilho assim convosco também esta mensagem:
“Honra a tua Essência. Sê a melhor versão de ti mesmo (a)”.

Espero que vos possa também, de algum modo, trazer inspiração e trazer alento nessa busca de si próprio. Ainda imbuídos na energia de renovação e definição de propósitos própria do iniciar de um novo ano, que esta mensagem seja inspiração para uma renovação de cada um. Dando o melhor de nós, que possamos contribuir para tornar o nosso Mundo, um lugar mais feliz. <3

O desafio, esse foi trazido por um amigo de longa data: pintar algo que representasse as suas pequenas sobrinhas gémeas: H. e G.
Algo que traduzisse simultaneamente as suas singularidades e ligações tão particularmente intensas (de corpo e alma)!
Surge então a ideia de criar uma peça (tela) que funcione, tanto em conjunto como individualmente. Optamos assim por pintar duas telas, que em conjunto representa uma figura feminina, não simétrica (como as próprias gémeas! 😉)
É criada uma grande figura central, que se divide por cada uma das telas, criando assim também, dois seres distintos.
Para quem está mais habituado (como eu), a pintar em dimensões mais pequenas, este novo desafio de pintar em simultâneo duas telas de formato maior, foi bastante interessante!

É muito gratificante quando pintamos algo que á partida sabemos a quem se destina. Surge uma conexão vinda de algures do fundo de nós. Mesmo se não conhecemos esse alguém pessoalmente. Talvez seja por um lado uma intuitiva conexão que emerge de um certo desprendimento de nós mesmos. Espontaneamente damos “permissão”, possibilidade e abertura para que uma parte de nós se conecte com alguma parte de outro alguém. E aí, é deixar fluir… Apesar de não conhecer as Gémeas pessoalmente e de ter concebido uma ideia inicial para o projecto, eu desconhecia o resultado final. (que cores, elementos, ambientes surgiriam?) mas sabia que o próprio projecto em si, me levaria por algum caminho desconhecido, que só a intuição me poderia levar.
O interessante é que naturalmente começa a surgir um ambiente algo "etérico". Magicamente estelar! São as meninas vindas das estrelas! 😊. Chamei a obra de “TWINkle Girls” (TWIN – Gémeas / TWINKLE – cintilante). As meninas que brilham e cintilam!

Oxalá que esta peça permaneça sempre nas suas vidas e que, cada vez que para ela olharem, possam rever-se a si próprias e contemplar a eterna ligação entre ambas. Que as possa inspirar e trazer muita magia às suas vidas e de quem as rodeia. Que lhes traga paz, alegria e alento.

Duas telas, dois fragmentos de uma mesma obra que sempre se completarão. <3



O que nos faz sentir vivos?
Conectar-nos com algo. Em primeiro lugar, connosco (no seu sentido mais profundo). Dar vida a algo e "beber" simultaneamente dessa mesma fonte. Dar e Receber. Um fluxo inesgotável.
Esse "encontro" pode dar-se de muitas formas:
Quer seja através da natureza, da criatividade, da oração, e do silêncio até! Tomar consciência da nossa presença e do que somos. Do nosso lugar no mundo. O que queremos. Como podemos dar o melhor de nós. Qual é a nossa melhor forma de comunicar e contribuir para o Todo.
(A verdade, é que tal é uma descoberta constante e infindável. Muito tenho eu a descobrir ainda)...

Sem dúvida que esses momentos para mim são em grande parte encontrados quando pinto, quando crio algo. Também o contacto com a natureza… (Ah, o mar e os bosques!...) As crianças (que possibilitam no fundo o contacto com a minha própria “criança interior”). Os animais. (E aqui tenho de referir esses dois exemplares de afectividade e inocência que povoam o meu espaço e vida quotidiana: os meus gatos!)
Esse fluxo de vida que gera energia, vitalidade e amor. Muitas vezes sinto-o simultaneamente como algo solitário e de partilha.
Nesta tela, é essa vitalidade, energia e fluxo que pretendo representar e celebrar! 

"Life is a flow of Love" (A Vida é um fluxo de Amor).

A natureza simples, genuína, espontânea e verdadeira. Essa simplicidade e liberdade de existir afinal!




Sempre adorei escrever.

A minha adolescência (e pré-adolescência), fez-se muito, nutrida através da correspondência escrita. Familiares emigrados, “pen friends” e até mesmo com os amigos da escola, durante as férias.
Recordo a expectativa e a emoção de ouvir o som da "motoreta" do Carteiro (até me recordo do seu nome: "Sr. Octávio"), que ansiosamente aguardava à hora certa.
Era imenso o fascínio que nutria por esta profissão. Para mim, eram verdadeiros Mensageiros de Afectos!

Folhas, postais, fotos, desenhos. Eram veículos de notícias e histórias. Emoções que eram facilmente revividas, registadas e guardadas desta forma.

Hoje, acredito que nestas gerações mais recentes, muitos não terão ainda sequer tido a experiência de escrever uma carta ou um postal à mão. Ir aos Correios, colar um selo, colocá-la cuidadosamente na Caixa de Correio. Como se de um ritual se tratasse. Recordo todos estes passos a cada carta enviada. O momento de colocar na Caixa de Correio, soava ao lançamento de um “Pombo Correio”. Partia e regressaria com alguma novidade que aguardava com muita expectativa.

Hoje, é verdade que aparentemente a comunicação se faz de forma mais fácil e mais rápida. Mas não sei se com a mesma profundidade. O próprio acto de desenhar cada letra, o tempo que para tal dedicamos, convidava a uma introspeção que nos permitia chegar ao mais fundo de nós.



Acredito que quem teve essa experiência, sentirá que, quem recebia as nossas cartas, nos conhecia melhor e mais profundamente, que outras pessoas com quem lidávamos diariamente…
Hoje em dia, confesso que eu própria não tenho essa prática há muito. Apenas muito esporadicamente, como que numa tentativa de não apagar para sempre um ritual tão bonito.


Então, porque não fazer também da minha arte, um "Veículo de Afectos"?
Foi com este sentimento que decidi também criar uma coleção de postais que possam transportar palavras, cores, emoções, e principalmente Inspiração.

Adoraria saber que através destes postais, alguém se inspirou a escrever a alguém. Mesmo que simplesmente a partilhar um “olá”, um abraço, ou um simples um “Estou aqui”.
Fazer-se perto através da palavra desenhada em papel…
Da minha parte... reiniciarei este "ritual" desde já. Há um postal que já tem destino marcado "além fronteira" ;)





No processo criativo, apesar de alguns passos poderem ser considerados mais controlados ou racionalizados, a verdade é que existe (e tem mesmo de existir!) uma boa dose de instinto, intuição e espontaneidade.



É nessa conquista do “ficar sem medo de errar”, que muitas vezes somos surpreendidos com novos efeitos, novas cores... Descobre-se e revela-se como que uma nova linguagem.
Foi um desses momentos que surgira há poucos dias. Senti de imediato que nascia uma nova expressão que merecia dar origem a uma nova “série”.

A série “Heart Whispers” são mensagens que ecoam em nós. Que nos sussurram, guiam, advertem e consolam.

São “Corações Voadores”, que possuem as Chaves para aqueles momentos em que mais necessitamos. São expressões diversas, com personificações e mensagens que ganham forma física, para que as possamos ter sempre por perto. Para que nunca delas nos esqueçamos.

Que o meu coração possa assim chegar ao vosso. <3



Quase sem dar por isso, já decorreram quase 4 anos.
Quatro anos de encontro e aventura por esta forma de arte (mixed media art). Uma forma de encontro comigo e com os outros afinal. Uma forma de auto expressão e de expressão com os outros, tão intensa e completa. Como muitas vezes digo: “Não sei se fui eu que encontrei esta arte, ou se foi ela que me encontrou!…”

Annah Crafts foi na altura o nome que “encontrei” para esta minha nova “faceta”. Quase em modo de “pseudónimo”. Ana Nunes é a designer. Annah Crafts… a artista (“soul artist”). Como que uma necessidade de criar uma entidade própria para este universo particular no qual me refugiaria.

Mas a verdade é que mais do que um refúgio, tornou-se uma “necessidade”, um alimento… uma “morada”. Algo que já faz parte das minhas células e do meu ser. Sem esta forma de expressão, "eu não sou eu". Faz parte da minha essência, do seu alimento, descoberta e construção.

E como tudo possui seus processos, mutações, desenvolvimento, decidi também realizar um pequeno “restyling”  a esta “identidade”:
Simplificada nas formas (tecnicamente mais versátil), possui o círculo como elemento fulcral. Símbolo de união, perfeição e eternidade (sem princípio nem fim…). Optei também por um lettering com um estilo “manuscrito”: mais pessoal e espontâneo. É ainda incluído o símbolo do Coração. Porque afinal, tudo se resume a isso, e por isso a “assinatura”: “Art with Heart”. (Arte com Coração).
… É daí que tudo advêm e se revela. <3

Muito se fala em encontrar o nosso "Propósito de Vida". Esta pode ser deveras a maior "façanha", pois muitas vezes o que acontece, é não darmos o espaço e tempo necessários a essa descoberta.
Alguns, na verdade, poderão ser "brindados" com a sorte de descobrir desde tenra idade, o que os fará sentir plenamente realizados. Outros poderão descobri-lo durante o seu percurso de vida. E eventualmente, outros poderão nunca o descobrir verdadeiramente.

Outro grande desafio é manter o foco, e alinhar as nossas escolhas de vida segundo as nossas paixões e aspirações.
Nunca nenhuma opção está livre de consequências, ou "perdas" de algo, em detrimento de outros "ganhos".
A questão, é saber e sentir, quais são, acima de tudo, os "ganhos" que darão sentido à nossa vida.

Algo que nos pode ajudar nestes momentos é colocar-nos a seguinte questão:
"Quando um dia eu "partir", pelo quê quererei ser lembrada(o)?"
Estou certa que as respostas nos ajudam mais facilmente a saber qual o caminho mais alinhado connosco num preciso momento.

"Somos filhos das estrelas".

Enquanto pintava esta aguarela, reflectia nesse sentimento de fusão que me inspirava. No final de contas, um pedaço da estrela de onde viemos, estará latente algures em nós. Essa "centelha de vida"...

Descobri-la, nutri-la, é fazê-la crescer.
E é assim que definiria o que significa para mim o "Propósito de Vida":
Descobrir e realizar o que mais plenamente traduzirá o que verdadeiramente somos. A expressão mais autêntica de nós próprios, com as nossas emoções, pensamentos, fragilidades, medos, fortalezas...
É encontrar num plano "tridimensional", a forma mais autêntica de nos revelarmos e doarmos aos outros.


Como em todas as obras, estas sempre são o resultado de um processo, reflexões, etc.
Esta foi a “expressão” que “veio à tona”. Provavelmente será uma forma de me lembrar e assegurar de que não podemos “forjar” o que somos, tentando adaptar-nos aos ambientes, pessoas e circunstâncias, abnegando de algum modo, o que somos verdadeiramente. Por vezes a vida traz-nos cenários e circunstâncias que parecem não ter a ver connosco. E aí nos questionamos: “Porquê”?

Sempre acredito que tudo chega até nós por afinidade... mas quando subitamente nos sentimos “desenquadrados”, tentamos entender o porquê... A verdade é que nem sempre sabemos bem o que queremos ou que caminho tomar. E ante esta indefinição, impasse, inércia, são nos colocados desafios e cenários que nos exercitam. E afinal de contas, dão-nos a possibilidade de perceber o que NÃO queremos... Para acertar no caminho, muitas vezes há que fazer desvios por outros "sinuosos trajetos" que nos mostram o que afinal não queremos. Porque o mais importante, é sermos fiéis a nós mesmos...

Emoções intensas, potenciam a criatividade, pois ao advirem do âmago do nosso ser, revelam muitas vezes, facetas desconhecidas até então.
Procuramos de algum modo expressar, e converter em algo físico e tridimensional, esse pedaço de alma feita de emoções...
Por vezes essa intensidade emocional , pode levar a uma espécie de “convulsão interior”. Podem surgir estados de certo modo“desconfortáveis”, entre angústias, opressões e inquietações. Na verdade são "murmúrios" de algo que internamente, “clama” para ser escutado e respondido.

Ao longo da nossa vida sempre passamos (e passaremos) por momentos destes. No fundo, sempre estarão a acontecer, a partir do momento em que decidimos e assumimos o compromisso pessoal, de permanecermos conectados com o nosso ser, e com a nossa voz interior... mas a verdade é que por vezes, assoma-se a cobardia. Muitas vezes o que a voz interior clama e revela, acarreta um esforço e vontade, força e fé,  que muitas vezes parecemos não possuir de forma suficiente, para que possamos proceder à mudança de trajectória que devemos fazer. (Temos “medos”...)

Mas eis que os "sussurros" e inquietações permanecem... e são impossíveis de calar, a não ser que “sufoquemos” a nossa alma. Mas tal não faria sentido, pois são esses mesmos sussurros que sempre nos indicam qual o caminho que nos conduz à verdadeira paz e alegria. À nossa “Missão”, afinal.
Sempre me considerei uma pessoa "adaptável". E isso pode ser bom, sim. A capacidade de saber integrarmo-nos em novas condições, ambientes e circunstâncias... Mas uma ténue fronteira separa a adaptabilidade, da "resignação". E é aí que devemos tomar muito cuidado, pois uma coisa é de facto sabermo-nos (re)acomodar com o fluir da vida, outra é gradualmente "abafarmo-nos", aprisionarmos ou limitarmo-nos...

Por vezes parecemos ter como que diversas aptidões para tantas outras coisas diversas. Mas o grande desafio está realmente em descobrir qual ou quais serão as que realmente nos fazem feliz e que nos preenchem completamente. Que no fundo representem e justifiquem (para nós)a palavra "Viver".
Muitos poderão nunca descobrir, por nunca ter, “quiçá”, reservado o devido espaço e tempo a essa escuta...
Por outro lado, se virmos com profundidade, o nosso “caminho” poderá estar nas coisas que mais natural e espontaneamente realizamos. Aquelas que brotam tão naturalmente como se se tratassem de uma extensão do que respiramos, sentimos, pensamos e somos...

Todos somos de algum modo criadores de algo. Quer seja de palavras, afetos, ações... outros poderão eventualmente explorar essa vertente criativa para algo mais abrangente.
A verdade é que a capacidade de criar algo é o que nos ajuda a conhecer, nutrir e crescer a nossa alma. É uma forma de (auto) descoberta, de (re)encontro ,  revelação, partilha e comunhão com o mundo.
Os momentos de pintura para mim, são momentos de liberdade e refúgio num mundo em que me permito viver e acreditar. E nele, sei que não estou só, porque sinto que cada um daqueles, que de algum modo se "sintoniza" com alguma “criação/expressão” minha, desse mesmo mundo fará parte. Dele também fará parte algum pedaço da “vossa” alma.
“Aqui”, é  onde brota a verdade mais profunda. Revela-se  o que conheço e desconheço de mim. E o que ainda não decifrei. E no final de cada obra, é uma parte de nós que “mergulhada” na tela, se revela em manchas de cor, formas,  texturas, palavras e figuras.

Criar é um misto de magia e mistério. Um pedaço de alma tornada física.

Esta é a “Sacralidade da Criação”. E é onde se justifica a palavra "Vida".



No ano passado (bem me recordo), quando por esta altura publicava o meu mais recente quadro, em jeito de mote para o novo ano, dizia: “Accept change. Embrace the wisdom”. (Aceita a mudança. Abraça a Sabedoria)...
A verdade é que de algum modo tratar-se-ia de algo como que "premonitório", pois eu não poderia imaginar tantas mudanças que ocorriam na minha vida neste mesmo ano! Trabalho, pessoas que entram, outras que saem de cena; gostos e (des)gostos que não passam afinal de dores de crescimento às quais não devemos (nem podemos)  fugir, mas antes abraçar e crescer através delas.

Agora que o ano termina, tento conseguir um momento de quietude e serenidade para realizar um balanço...
O que me ocorre antes de qualquer coisa: Agradecer. Agradecer pelo que me foi dado viver e aprender. Agradecer pelos bons e os aparentemente maus momentos. Aqueles em que parecemos nem sequer conseguir vislumbrar uma resposta ou saída. Mas a verdade... é que sempre há "um outro lado da travessia"sempre que subsista algures em alguma parte do nosso ser, nem que seja um átomo de esperança.
Em certas alturas sentimo-nos a atravessar um autêntico “vendaval” de acontecimentos e sucessivas emoções.  Momentos em escolhas devem ser feitas, mas nem sempre com a certeza de estar a tomar a atitude correcta... Mas posso dizer-vos que uma grande parte do meu "porto de abrigo", foi a "minha" arte. Um foco, um escape, uma espécie de “drenagem de emoções”, energia e sentimentos. E é tão real este sentimento, que, quando olho para as obras realizadas este ano em sequência, é como se linhas de um livro autobiográfico se tratasse. Ao olhar cada detalhe de cada pintura, é incrível como consigo recordar o momento específico em que fora realizado. Trata-se de um registo de emoções e pensamentos emergentes num dado momento e lugar.



Por outro lado, uma das maiores bençãos, para além deste ponto “canalizador" emocional que a Arte representa, é também a capacidade de ser uma forma de auto-expressão que permite conhecer, revelar e desvendar facetas. Um auto-conhecimento. Facetas talvez conhecidas, mas tantas outras mais, ocultas em algum lugar do nosso íntimo (que nem mesmo nós ainda "descodificamos"). Talvez por isso, a expressão artística sempre possua algo de impressionante e enigmático em simultâneo.

Outro ponto deveras "mágico": a Arte traz-nos também pessoas!
É fantástico perceber as pessoas que este projecto tem feito chegar até mim (que de outra forma, não chegariam, certamente). São pessoas que em primeira instância chegam "atraídas" pelas minhas "personagens e cenários" pintados. Primeiro conhecem como que a expressão da minha alma, e posteriormente chegam até mim pessoalmente. Assim não existem conceitos e projeções. No fundo, a conexão é realizada a partir do mais genuíno e verdadeiro em nós.

Agradeço a tod@s que mesmo sem saber, ajudam a alimentar esta paixão. Aos corações que se deixam tocar pela "minha arte" e que me inspiram afinal. O que mais desejo, é que de algum modo estas “expressões de tinta de cor”, possam ajudar a cada um de nós a alimentar o sonho, a magia e a esperança (tal como quando éramos crianças!).

Que sejam uma espécie de materialização de um mundo de alegria, sonho e beleza existente em algum lugar do nosso íntimo, que sempre deveremos lutar para manter e fazer viver. Pois realmente, ao deixar de existir, seria como o sopro de vida a apagar-se em nós, e perderiamos a verdadeira definição de humanidade em nós.

"Pede um desejo. Deixa-te envolver pela magia e pela Paz. Acredita no Milagre."

O meu desejo é poder continuar a revelar-me, expressar-me e partilhar convosco o que me vai na alma. E aí sim... o Milagre verdadeiramente acontece!

Um mágico e colorido ano para tod@s vós! <3


“Paraísos” em Terra existem. E aqui mesmo, na nossa “terra Lusitana”.
Açores é um deles. Lugar carregado de um bucolismo que se nos entranha nos poros.

O que se sente e pressente é como que uma espécie de melodia da natureza. O som da terra e do mar que nos apela a memórias ancestrais sigilosamente guardadas  em nossas células.
Numa espécie de desafio auto-imposto, aventurei-me a explorar (o que foi possível em brevíssimos dias) a ilha de São Miguel.
Um lugar carregado de lendas mágicas que contam suas origens Atlantes (esse continente submergido há milhares de anos). É interessante perceber como as remotas origens destas ilhas, no meio do Atlântico “plantadas”, parecem não ser esquecidas nem negadas pelo seu povo!
Lendas, histórias de fadas, sereias e princesas, nomes de localidades e tantas outras referências, aludem a estas remotas memórias Atlantes.


Entre verdes e azuis. Por entre prados e oceano, um ar puro se respira e nos inspira.
Prados, montes, lagoas e furnas. Vulcões, cascatas, flores, vacas e melros. Todos povoam aquela ilha numa ímpar e encantadora comunhão.

E para quem ama a cor... ali, sem dúvida que são mais vivas. Nunca vi tanto arco-íris em tão curto espaço de tempo!
Apesar de estarmos no Outono, e de um quase sempre presente véu de nevoeiro, as cores continuam bem presentes na natureza. Enquanto se caminha pelo parque "Terra Nostra" (acompanhados de uma espécie de benção atribuída pela chuva morna da ilha), se olharmos para o solo, podemos vê-lo igualmente "salpicado" de formas e cores... Folhas de tonalidades quentes lado a lado de proeminentes raízes de árvores centenárias, revelando sua idoneidade e potestade.

Tudo ali é cor. Tudo ali é mágico e inspira. Desde o céu, terra e mar.

Um lugar onde realmente nos podemos sentir mais próximos do “coração” da Terra.




São "Os Gatos". E não ouso dizer "meus" gatos, pois não o permitiriam ;)
Eles é que me escolheram. Nos escolheram. Para poder desfrutar da sua companhia e da sua generosidade.

Eles são de facto minha companhia. Nesta fase... a minha grande companhia praticamente 24 horas por dia.
Assistem desde o meu acordar, ao tempo de trabalhar, pintar, comer, deitar e adormecer. Depois disso assumem o papel de “vigilantes” mais atentos enquanto todo o mundo parece dormir. Dizem que os gatos nos vigiam e protegem também durante o sono... E eu acredito!

Os que moram comigo (ou eu com eles!), possuem de facto personalidades completamente distintas. O Hariel, gatinho (na altura, de dimensão capaz de caber num sapato) que nos interceptou um dia no meio da estrada (num dia em que confesso: estava tão chateada...!). Acho que foi um sinal. E um presente. Apareceu nas nossas vidas 2 dias antes do meu aniversário. É o mais independente, silencioso... um sábio!

A Noa!... Esta “menina” surge com o desejo de dar uma companhia ao nosso “primogénito”. Numa associação de “acolhimento e recolhimento” de gatos abandonados nas ruas. Ainda recordo o primeiro dia em que a vi. Juro-vos, foi a bolinha de pelo preto e de meias brancas mais saltitona e travessa que lá havia...
Hoje, são ambos grandes amigos e complementam-se harmoniosamente. Completam-nos na verdade.

A inspiração deste novo trabalho, foram estes meus amigos tão especiais. Um registo. Uma memória. Uma homenagem.


“Gatos amam mais as pessoas do que elas permitiriam. 
Mas eles têm sabedoria suficiente para manter isso em segredo.” Mary Wilkins


    
   "Pieces of (He)Art" by Annah Crafts

Já não é a primeira vez que menciono a gratificação que esta aventura “Annah Crafts” me tem levado a fazer. Uma aventura emocionante (interior e exterior), criativa, divertida e colorida que tanto me tem feito “crescer”, descobrir mais acerca de mim mesma e me tem revelado amizades: umas já conhecidas, outras agora descobertas!

Isto tudo me faz reflectir de que de facto, apesar de cada um de nós poder ter vivências e origens diferentes, no final de contas o que nos pode identificar e unir, será sempre a nossa essência. E é esse poder supremo e tão inspirador que é revelado e trazido pela arte: a união das pessoas por um mesmo sentimento, uma identificação por uma mesma emoção que pode ser expressa através da arte (seja ela de que forma for: música, pintura etc.).

Uma dessas pessoas que recentemente conheci, vem do outro lado do nosso oceano, mais propriamente do Brasil e possui um projecto fascinante! Chama-se Daniela Vignoli e "construiu" um lugar chamado Babel (http://lugarbabel.com.br/), onde arte e artistas têm um lugar reservado. Daniela depressa se revela alguém cativante desde as primeiras mensagens que trocámos online. É apaixonada por arte e artistas e o seu projecto não nega isso.
O blog "Lugar babel" é no fundo o lugar que encontrou possível para poder conter as belezas artísticas que vai encontrando por este mundo fora.


 Daniela em viagem


Produtora de elenco durante 16 anos e aptidão especial para "caça talentos" para publicidade em televisão, Daniela sempre gostou de lidar com as pessoas e escutar suas histórias e vivências. Para além de “caça-talentos”, descobriu sua verdadeira paixão como "investigadora e exploradora" de objectos de decoração diferentes e originais. Objectos de arte improváveis que sempre vai descobrindo e coleccionando nas viagens que faz. Objectos que encerram sempre um pouco da alma do artista que a criou, e que revelam fantásticas histórias de vida.

É claro que entretanto percebera de que seria impossível (fisicamente) possuir tudo o que gostava e descobria. Foi assim que surgiu há cerca de 3 meses este projecto tão criativo e original, de criar o blog "Lugar Babel ("um guia de arte acessível pelo mundo" como o próprio “blog” é designado).
"Lugar Babel" é como o próprio nome nos inspira à partida: um lugar onde podemos encontrar uma grande variedade de expressões e linguagens (artísticas neste caso). É o lugar onde Daniela pode "coleccionar" o que mais gosta e torná-las de alguma forma também suas, e ao mesmo tempo, generosamente partilhá-las com o mundo! Para além disso, gosta de incentivar e promover os artistas com quem se vai cruzando e apaixonando. Se por vezes também ela confessa aventurar-se a dar expressão à sua própria criatividade, é sem dúvida neste projecto que mais se encontra realizada.

Achei que seria interessante partilhar esta pequena história e projecto convosco. Principalmente porque demonstra o poder que a arte tem de ligar e conectar pessoas, que à partida não se cruzariam e conheceriam se assim não fosse. A arte expressa a alma individual de cada um, e esse deverá (e deveria) ser sempre o ponto de união entre todos.

Num “mundo Babel” em que vivemos, oxalá todos um dia possamos viver unidos pela essência da arte e do que realmente somos afinal.

Obrigada Daniela pela experiência, aprendizagem e generosidade da sua partilha.

Para visualizar o artigo Annah Crafts no "Lugar Babel":
Annah Crafts. Com tecnologia do Blogger.